"Sou um verso de liberdade neste livro de sufoco
Sou uma página na folha, só metade do que queria
Saturado da tristeza que levemente asfixia
Vivo coberto pelo pó da importância que não tenho
Estou farto de fazer desenhos e não ser parte do desenho
Eu já não quero fazer parte, eu só quero ser a parte
Que quando parte, deixa o teu coração a metade"
Sou uma página na folha, só metade do que queria
Saturado da tristeza que levemente asfixia
Vivo coberto pelo pó da importância que não tenho
Estou farto de fazer desenhos e não ser parte do desenho
Eu já não quero fazer parte, eu só quero ser a parte
Que quando parte, deixa o teu coração a metade"
a dream...
Vi-te passar. Caí na tentação de olhar, e vi que também olhas-te. Continuei a caminhar, senti lágrimas nos olhos e olhei para trás, sei que ninguém as viu. Começou a chover. Não me lembro de nenhum dia que chovesse tanto como este. Em vez de correr e abrigar-me, parei ali. Voltei-me e lá estávas tu. Sentei-me e fechei os olhos! Recordei tudo o que passámos, e senti-te. Voltei a recordar e voltei a sentir-te. Respirei fundo. Senti uma leveza enorme. Só depois é que me lembrei que era dia dos namorados. Vi um casal meu amigo até, a trocarem prendas. Andava tão desamparada que desvairou-se literalmente da minha memória essa data. Voltei-me a sentar, as pernas tremiam não sei se era do corpo gelado ou da dor fisica e mental que se enrradiou em mim.
No meio da chuva, onde estáva lá... ninguém. Ninguém estáva à chuva a não ser eu. Gelada e sentada a ver-te abrigado a fumar como fazes sempre à mesma hora e no mesmo lugar. Conheço-te tão bem. Consigo ler-te, até. Quase que te sei decor! Sabia que se fôsse para a tua beira que me iria magoar, mas mesmo assim fui. Caminhei até ti. Sentei-me ao teu lado direito. Olhei-te nos olhos e nada disse. Levei os meus olhos à tua mão e vi como ela estáva. Fiquei... fiquei sem reacção! Nem coragem de te perguntar o que aconteçeu tive. Apenas peguei na tua outra mão, apertei-a com toda a minha força e pronunciei: está é a fisica, mas tenho mais para te dar!
Não precisei de muito mais. Acendi um cigarro e sai dali. Não por tua causa, mas por minha. Aquele lugar trazia-me muitas coisas à mente só de respirar ali mesmo. Não sei bem como, passado tempos encontramo-nos novamente. Desta vez noutro lugar, também esse nosso conhecido e muito especial. Tudo aí foi bem diferente do encontro anterior. Aproximaste-te e aí me beijaste. Foste me puxando cada vez mais e mais para junto do teu corpo, que julgava eu ter-me esquecido de todos os centímetros dele, mas que afinal não. Honestamente posso dizer-te. Naquele momento senti o teu desejo. Não podes negar. Não te esqueças que eu tenho o poder de te conseguir ler. Encheste o meu coração, e principalmente encheste-me de luz. Mas assim como nos encontrámos, assim nos despedimos. Contudo ouvi de ti, algo que me surpreendeu. Aqui tens a tua resposta: Eu também não te esqueci. Raios, parece que te amo cada vez mais.
Curaste um pedaçinho da minha dor. Mas não te iludas, eu não estou bem.
