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1# Carta para o teu melhor amigo


Pedaço a pedaço fui descobrindo o meu interior no teu. Achava quase impossível que algum dia podesses vir a ser, afinal de contas havia estradas, casas, rios e montes a separar-nos. Não que isso fôsse realmente o motivo para eu achar impossível, mas a verdade é que eu achava. Tanto que de quanto mais a aproximação, mais se extendia a confiança, carinho, lealdade, simplicidade no que estávamos a construir. A união, a nossa união. Fui-me debatendo com situações que com a tua ajuda superei-as por completo. Sim, foram as tuas palavras vindas da tua doce voz que me fez erguer. Por vezes doce, por vezes crua pois há verdades que magoam, mas eu tinha que as ouvir. Olho para trás e observo dois anos assim. Apoiando-nos motuamente. Envolvendo-nos em disparates, idiotices sem margem nenhuma. Tornaste-te assim. Vieste assim meio afim de mim. Acredita Fábio, és o melhor amigo que tive e tenho. É verdade que tive uma fase que me distânciou de ti, de mim mesma e de todos. Sabes quando só queres estar contigo e apenas contigo, porque já bastam as vozes a seguirem-te, mesmo quando fechas os olhos. Não dei em maluca. Mas precisava daquilo. Então manti-me longe, nunca quis magoar ninguém, pois nessa época o meu humor não era estável, era algo dificil de controlar.
A distância variou, e, por vezes ainda varia mas o sentimento não mudou, nem nunca mudará. Vai na volta, e eu precisei mesmo disto.